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17/06/2016 - 16:33

Um desequilibrista no Livro do Mês

Manu Maltez esteve em Passo Fundo para os seminários do projeto Livro do Mês

Foto: Carla Vailatti
Show musical marcou esta edição do projeto Livro do Mês

O músico, desenhista, escritor e skatista Manu Maltez participou, nos dias 16 e 17 de junho, dos seminários do projeto Livro do Mês, que em junho teve a obra “Desequilibristas” no foco das discussões. Além dos tradicionais encontros com leitores para falar sobre o livro, esta edição do projeto teve um show musical, que aconteceu na noite de quinta-feira, 16 de junho, no Centro de Eventos da UPF. O show foi apresentado por Manu, cantor e baixista, e pelo guitarrista Felipe Pegoraro, com a mesma temática do livro, que reúne desenhos e textos para “declame em via pública”, nos quais a cidade e o skate compõem um cenário para reflexões, como no trecho:

“Um desequilibrista
quando raspa os contornos da cidade
vai criando certa tensão
gera uma terceira via:
se por um lado ele desgasta
por outro ele afia.”

Participaram estudantes da Universidade de Passo Fundo (UPF), especialmente do curso de Letras, cujo 7º nível auxiliou na organização do evento, alunos do ensino médio de escolas de Passo Fundo e região e outras pessoas interessadas na temática, como um grupo de skatistas de Passo Fundo. O Bando de Letras fez uma apresentação na abertura da atividade. Os outros seminários, ocorridos nas manhãs dos dias 16 e 17, no teatro do Sesc, reuniram estudantes do ensino fundamental de escolas públicas e particulares e também foram abertos à comunidade.

Manu relatou que o skate fez parte da sua infância, e o reencontrou anos depois, quando uma pista foi construída próxima à sua casa, em São Paulo. “O skate é muito múltiplo. É um esporte? Um meio de transporte? Um modo de vida? Para mim, é quase uma intervenção artística na cidade”, contou. O convidado disse que às vezes o skatista fica restrito à uma pista, mas não é essa sua natureza. “Toda a pista de skate tem um quê de zoológico, você aprisiona os skatistas naquele lugar, e a raiz do skate não é essa. É justamente você se apropriar de lugares que ninguém presta atenção. Ás vezes, embaixo do viaduto tem uma transição, um corrimão, uma escadaria. O skatista ressignifica esses espaços”, explicou.

Essa foi a primeira visita de Manu ao Rio Grande do Sul e, de acordo com ele, foi marcada por surpresas. “Cheguei e logo o pessoal da associação dos skatistas foi ao meu encontro, me levaram para as pistas de skate, contaram a história do skate aqui. Tanto eles quanto os demais participantes dos encontros se mostraram super interessados no livro”, considerou.

“Desequilibristas” foi publicado pela editora Peirópolis. Nele, o artista põe o traço e o verbo sobre as rodas do skate, e na esteira desse que é um dos movimentos culturais mais interessantes do espaço urbano contemporâneo.





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