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18/11/2015 - 17:08

Com histórias Ciganas, Livro do Mês encerra edições de 2015

Florencia Ferrari se encontrou com acadêmicos da UPF e estudantes de escolas públicas na noite de terça-feira no Campus I da UPF

Foto: Leonardo Andreoli
Escritora Florencia Ferrari se encontrou com acadêmicos e estudantes de escolas públicas no Campus I da UPF
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Confira a entrevista concedida pela escritora à UPFTV

Os debates do Livro do Mês deste ano de 2015 se encerram com a presença da escritora Florencia Ferrari, autora da obra “Palavra Cigana Seis Contos Nômades”. Na noite de terça-feira (17/11) ela se encontrou com acadêmicos da Universidade de Passo Fundo (UPF). Além do encontro na UPF, no dia 18, alunos e professores da rede estadual e particular de ensino e a comunidade participaram do seminário no Teatro do Sesc Passo Fundo. Por fim, no dia 19, às 9h, também no Teatro do Sesc, o debate será aberto para estudantes e professores da rede municipal de ensino e público interessado.

O livro é baseado em estudos intensos sobre a vida cigana em vários lugares do mundo elaborados pela escritora durante o mestrado e doutorado, e da convivência dela com grupos ciganos em diferentes oportunidades. “Sou antropóloga e queria entender como eles vivem e demorei vários anos pra ter acesso a uma família”, contou. Para compor a obra, a escritora se baseou em mais de 300 contos ciganos de várias partes do mundo.

Hábitos diferentes
A escritora explicou aos participantes do encontro que o povo cigano, em diferentes lugares, não tem comida e música típicas ou uma única língua. “Todos esses diacríticos, como chamamos em antropologia, todas essas coisas que caracterizariam uma cultura no mundo, os ciganos têm em relação à sociedade em que eles estão, a sociedade onde eles estão vivendo”, justifica. A música é um exemplo claro. Em cada local, eles costumam ouvir o que é comum naquela comunidade. “No Brasil, eles gostam de música sertaneja, porque essa é a música local”, exemplificou.

Apesar de não ter uma essência única, o povo cigano em diferentes lugares seguem uma lógica parecida no modo de se relacionar com a sociedade onde eles vivem ou onde eles chegam. “Não conseguimos imaginar ciganos morando em uma ilha deserta porque eles vivem sempre em relação a uma outra sociedade mais ampla com a qual eles convivem”, argumentou. O mesmo acontece com as histórias que eles contam, geralmente baseadas ou recontadas a partir de histórias que eles ouviram da comunidade com a qual estão convivendo.

Relação com o passado e com a morte
Outra curiosidade que a escritora contou sobre as pesquisas feitas por ela, está relacionada à forma como os ciganos lidam com o passado e com a morte das pessoas. “Isso tem muito a ver com a maneira como eles lidam com a vida “presente e pra frente”. Se perguntar para o cigano de onde ele vem, e eu perguntava muito isso, imaginando que diriam do Egito, Romênia, algum lugar assim, mas eles diziam o lugar de onde eles tinham vindo imediatamente antes, uma cidade vizinha, por exemplo”, disse.

Quando uma pessoa do acampamento morre, os parentes consanguíneos mais próximos seguem uma série de regras para o longo período de luto. “O acampamento normalmente tem música alta. Quando alguém morre, passam seis meses sem poder ouvir som. Ninguém que vem de fora pode ouvir som. Se eles viajam para visitar outro acampamento tem que avisar para que não tenha música”, lembrou. Além disso, o nome da pessoa que morreu não pode ser pronunciado. Para fazer referência a alguém que morreu, eles usam formas eufêmicas como, por exemplo, o marido, o pai, o irmão de alguém, ou usam o nome brasileiro da identidade, mas não o nome que eles se identificam na comunidade. “A barraca e todas as coisas dele são queimadas, não sobra nada. As fotos eles não podem olhar, eles escondem ou queimam. Tem um trabalho forte de apagamento do passado”, concluiu.

A abertura do encontro contou ainda com a presença do professor do curso de Letras da UPF, Miguel Rettenmaier que fez a apresentação da escritora.




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