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02/10/2015 - 16:34

“Se eu tivesse que começar tudo de novo, faria literatura”

Ignácio de Loyola Brandão recebe homenagem da Academia Passo-Fundense de Letras

Foto: Gelsoli Casagrande
Além do lançamento do livro "O irreverente", Ignácio foi homenageado com a menção honrosa Francisco Antonino Xavier e Oliveira

Se Passo Fundo é a Capital Nacional da Literatura, o jornalista, escritor e consagrado coordenador de debates das Jornadas Literárias Ignácio de Loyola Brandão tem sua parcela de colaboração, afinal, contribui com a movimentação literária desde 1988. Por isso e em reconhecimento à sua produção literária (Loyola já teve mais de 40 livros publicados, é cronista, jornalista e roteirista), a Academia Passo-Fundense de Letras (APL) dedicou-lhe uma homenagem em forma de... livro! Há 15 anos, a APL realiza o Concurso Literário, que estimula estudantes de Passo Fundo a aprimorarem o hábito de escrever. Em 2015, os participantes, alunos de escolas públicas e particulares de Passo Fundo e frequentadores da terceira idade da Oficina Literária do Clube Juvenil escreveram textos criativos, resenhas e poemas que tiveram Ignácio de Loyola Brandão como inspiração.

A homenagem foi prestada na tarde de quinta-feira, 1º de outubro, no Centro de Eventos da Universidade de Passo Fundo (UPF), como parte da programação do 13º Seminário Internacional de Pesquisa e Patrimônio Cultural. Acadêmicos da APL, participantes e vencedores do concurso estiveram presentes, em sessão também prestigiada pelo prefeito Luciano Azevedo, pelo secretário municipal de Educação Edemilson Brandão, pelo secretário municipal de Desporto e Cultura Pedro Almeida e pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da UPF (PPGL) e das Jornadas Literárias Fabiane Verardi Burlamaque.

Para o presidente da APL Gilberto Cunha, a homenagem representa o coroamento de um trabalho desenvolvido na Academia com o objetivo de formar novos escritores. A acadêmica Marisa Zilio, uma das organizadoras do concurso junto com Pia Elena Borowski, lembra que a iniciativa demonstra a postura da Academia de manter-se de portas abertas. “A APL se torna parceira das escolas no ato de promover a educação e criar novos espaços de ensino e aprendizagem”, afirmou.

O prefeito Luciano Azevedo destacou que a homenagem é merecida e especial, uma vez que é dedicada a alguém que demonstra forte apreço por Passo Fundo. “Por dezenas e dezenas de vezes, Ignácio, uma personalidade reconhecida internacionalmente, deixou sua família para se dedicar à formação de leitores em Passo Fundo”, mencionou o prefeito, ao lembrar que o escritor já registrou diversas vezes o quanto se sente bem na cidade das Jornadas Literárias. A coordenadora do PPGL e das Jornadas Literárias, Fabiane Verardi Burlamaque, ressaltou o valor da prática da escrita – tão importante quando a da leitura – e parabenizou a APL pela iniciativa.

Durante a solenidade, Loyola recebeu a menção honrosa Francisco Antonino Xavier e Oliveira.

“Nós escrevemos para sermos publicados”
Em seu discurso, Ignácio de Loyola Brandão agradeceu pela homenagem e deu conselhos aos jovens escritores. Confira alguns trechos:

“Quando soube que havia um concurso e que esse concurso publicaria os textos, fiquei satisfeito por uma razão: nós escrevemos para sermos publicados. A maior frustração é escrever um texto e esse texto não ir para lugar nenhum. A gente não escreve para nós, o primeiro momento é para nós, depois isso tem que ser compartilhado. Até hoje, tendo publicado mais de 40 livros, cada vez que sai uma publicação nova eu me emociono, da mesma maneira que me emocionei em 1965, quando lancei Depois do Sol, meu primeiro livro.

Algo que acho importante para os criadores passo-fundenses é que eles olhem para a própria terra e tragam dessa terra os temas, os personagens, os motivos e os assuntos. Não queiram fazer uma obra que se passa em Paris, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro ou São Paulo. Isso é que dá força ao texto: olhar a própria terra. Passo Fundo é um universo. Um dos maiores escritores de todos os tempos, o russo Tchekhov, é hoje um exemplo raro de um homem que escreveu – há mais de 100 anos – sobre a própria aldeia, e hoje parece que a história se passa em Passo Fundo, Araraquara, ou qualquer cidade, porque o personagem é universal. Passem para o papel a alma e o coração de Passo Fundo”.

“Depois de nove anos, voltei a escrever um romance. Se vocês estão falando que sou irreverente, esperem por esse romance, que se chama Desta terra nada vai sobrar a não ser o vento que sopra sobre ela. Escrevo, escrevo e escrevo, faço e refaço cada linha, cada frase, mudo as palavras, até o momento em que eu achar que está pronto. Escrever é disciplina, mas uma disciplina gostosa, uma coisa que você faz com amor, um prazer sensual, para não dizer sexual.

“Se eu tivesse que começar tudo de novo, eu faria literatura”
“Se eu tivesse que começar tudo de novo, eu faria literatura. Se eu ganhei dinheiro? Não, sempre tive um emprego. Outro dia um amigo falou: você tem uma poupança? Eu falei: tenho 43 livros publicados, se é que ele entendeu, não preciso mais que isso.

As minhas dores, amarguras, aflições, desassossegos, fracassos, rejeições, tudo isso vai embora. Nunca tomei Prozac e nunca fiz terapia. Vai embora no texto, porque a literatura é isso, uma vingança contra a sociedade que nos oprime, nos machuca e também nos afaga. Não tem nada melhor do que fazer literatura”.

Sobre o concurso
Todas os textos participantes do concurso foram publicados no livro O irreverente – Ignácio de Loyola Brandão, publicado pela APL com apoio da Prefeitura Municipal. A UPF contribuiu, por intermédio do PPGL, auxiliando na escolha dos melhores textos. Confira abaixo os melhores trabalhos e seus autores:

Textos criativos: 1º lugar “Destroços do trem ferroviário”, de Igor Guilherme Cambrussi, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; 2º lugar “Vida de um sonhador”, de Wagner Giordani, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; e 3º lugar “Chamo-me Ignácio”, de Bárbara Ribeiro Chaves, da Escola Estadual de Ensino Médio Prestes Guimarães.

Resenhas: 1º lugar “Toda manhã...”, de Marina Bork, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; 2° lugar “O sonho perto da realidade!”, de Waleska Tellecken, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; e 3º lugar “Zero”, de Rafael Trevisan, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Urbano Ribas.

Poemas: 1º lugar “Andarilho”, de Jéssica Lisiane, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; 2º lugar “Olhares hipócritas”, de Anielle Forchezatto Moraes, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus; e 3º lugar “Sinto muito!”, de Gabriela Possa, da Escola Redentorista Instituto Menino Deus.





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